O mundo da advocacia tem passado por uma grande transformação, estimulada pela 4ª revolução industrial. Não estamos falando apenas da adoção de softwares na rotina de trabalho. Trata-se de uma nova dimensão que envolve o mindset e vê o desenvolvimento das tecnologias como aliado.

A advocacia 4.0 está relacionada ao desenvolvimento de novas ferramentas tecnológicas a partir do processamento de dados, da base sensorial, da internet das coisas, do uso de plataformas tecnológicas, entre outros dispositivos voltados especificamente para o ramo jurídico.

Pensando nisso, neste artigo vamos apresentar como se tornar um advogado 4.0 e quais são as suas principais características. Acompanhe!

O advogado será substituído por robôs?

A resposta é não. Essa é uma preocupação cada vez mais presente e amedrontadora entre os profissionais do meio, pois a automatização gerada pelo desenvolvimento da tecnologia realmente pode substituir grande parte das tarefas repetitivas. Isso é tão verdade que, hoje em dia, apenas com o processo digital, são necessárias bem menos pessoas no escritório executando tarefas mecânicas. Contudo, a tecnologia deve ser vista como uma aliada.

Já existem sistemas que acompanham prazos de processos e publicações, enviando notificações. Além disso, fazem a comunicação com os clientes, consultam jurisprudência, elaboram relatórios para o cliente, entre outras funções.

Mesmo com todo esse desenvolvimento, a tecnologia não conseguirá substituir por completo o trabalho humano. A interpretação e conhecimento técnico exigidos pela ciência do Direito jamais serão trocados por uma máquina. As ferramentas tecnológicas apenas substituem os profissionais nas atividades mais simples e repetitivas. Isso, inclusive, otimiza o tempo desses especialistas e permite que eles se dediquem às atividades mais complexas.

Os grandes escritórios perderão mercado?

Para falar a verdade, essa situação pode ocorrer. Isso será mais vantajoso para profissionais autônomos e pequenos escritórios, que terão mais oportunidades. De que forma isso poderá acontecer? Geralmente, o serviço oferecido aos clientes por negócios de pequeno porte costuma ter um preço mais acessível e mais atrativo. Além disso, o atendimento é mais pessoal e humano, sem todo o padrão e formalidade existente em escritórios grandes. A tecnologia, bem aplicada, permite ao profissional reservar mais tempo para dar atenção e ouvir o cliente, o que eventualmente traz vantagem para os profissionais de estruturas pequenas que faziam todas as tarefas.

Ademais, os profissionais autônomos e que trabalham em estabelecimentos menores tendem a enveredar por áreas mais pessoais, especializando-se em áreas mais específicas e pouco exploradas, pois terão a possibilidade de divulgar seu trabalho por meio digital, adquirindo autoridade e angariando clientela por meio dessa autoridade, no ramo de sua especialização. Pode ser que os advogados que atuam em grandes escritórios tradicionais não tenham a autonomia para alcançar áreas mais intrínsecas.

O acesso à justiça se tornará universal?

O acesso à justiça é um direito fundamental. Ele é o pilar da garantia da justiça e assegura a tutela dos demais direitos subjetivos. Contudo, será que um dia todos terão, de fato, acesso à justiça? Isso pode ser possível com a disseminação das inovações tecnológicas para todos os ramos jurídicos, universalizando o seu uso para os profissionais e órgãos judiciários.

Como consequência, o trabalho do advogado terá um custo menor, já que a tecnologia o auxiliará em diversas etapas processuais, como protocolar uma peça inicial, acompanhar publicações online sem precisar ir ao Fórum, entre outros. Logo, um maior número de pessoas conseguirá ter acesso a esse profissional. Por outro lado, um custo menor para o advogado implica em ter rentabilidade em questões que anteriormente não eram interessantes economicamente, e que nunca eram atendidas. A

Vale ressaltar que isso já tem sido implementado. Muitos tribunais já adotam o processo eletrônico e outras tecnologias que permitem o trabalho mais ágil e o escoamento de processos mais rapidamente, tornando-os mais breves.

Como fica a situação dos “paralegais” no mercado jurídico?

O paralegal é um profissional até bem pouco tempo não reconhecido: um bacharel que tem qualificação e treinamento na área de Direito. Contudo, não tem registro como advogado e, por isso, suas funções são de assessoramento em atos não-privativos de advogados. O avanço da tecnologia vai absorver esses profissionais e trará vantagens para eles, fazendo com que os serviços dos paralegais cresçam.

Eles exercem seu trabalho por meio de consultorias, cumprindo diligências, acompanhando processos, entre outras coisas. Ou seja, eles ajudam o advogado em tarefas consideradas mais simples e menos complexas, oferecendo suporte. Existem diversos sites que disponibilizam profissionais para essas funções, como o Diligeiro. Ele cria o cadastro de paralegais e, por meio da tecnologia, simplifica a contratação de correspondentes jurídicos.

As faculdades de Direito poderão oferecer disciplinas de outras áreas?

Isso vai acontecer de forma gradativa. O Direito será cada vez mais um ramo abrangente e multidisciplinar que precisa envolver diversas outras áreas em seu âmbito como Programação, Marketing Jurídico, Comunicação e Administração. Essa é uma tendência atual do mercado e está se tornando uma exigência. Hoje em dia, dominar o Direito é fundamental para ser um bom profissional, porém, ter conhecimentos de outras disciplinas se tornou uma crescente necessidade. Ter várias habilidades é essencial para a atividade do escritório e para resolver problemas.

Quais são as características da advocacia 4.0?

O Direito é um grande segmento que tem, aos poucos, sofrido os impactos causados por essas inovações, que tem como objetivo otimizar a atuação cotidiana dos profissionais dessa área. Para compreender melhor o alcance dessa nova era da advocacia, é preciso conhecer todos os aspectos que ela abrange. Veja, a seguir, as principais características dessa inovação no ramo jurídico.

Rápida democratização do conhecimento jurídico

O conhecimento jurídico passou a ser mais difundido no meio online e, com isso, as ideias passaram a ser disseminadas rapidamente, o que acarretou uma curva de precarização do conhecimento. Logo, novas ideias precisam ser constantemente lançadas como fundamento de teses.

Ineditismo

A facilidade de acessar o conhecimento e a velocidade de interpretação exige que os profissionais estejam aptos a interpretar as ideias rapidamente. Consequentemente, aquele que for o mais capacitado para resolver a questão terá mais sucesso.

Fim do argumento de autoridade

O argumento de autoridade é substituído pelo conhecimento. Assim, a racionalidade dos fundamentos e a legitimidade das teses e argumentos passaram a ser o impulsionador dos dados da construção lógica do conhecimento jurídico. Não basta ter um bom nome no mercado, é preciso ir além.

A parte boa da superação do modelo anterior é que qualquer escritório pode construir uma autoridade relevante, adotando técnicas de divulgação e marketing jurídico. Produzir conteúdo informativo, educacional e de valor é a nova forma de conquistar clientes e trazer respeitabilidade para o escritório.

Criatividade e design

A criatividade e o design passam a ser desafios constantes e exigem dos profissionais a capacidade e criatividade para criar soluções inéditas diante dos problemas. As longas peças processuais, contratos complicados e outros conceitos ultrapassados dão lugar á praticidade, beleza e utilidade. Os advogados 4.0 colocam a forma a favor do conteúdo, deixando os exageros de lado.

Empatia

O profissional deve se comunicar e se conectar com seus colegas do ramo — e até mesmo de outras áreas — para compartilhar seus conhecimentos e se ajudarem mutuamente, inclusive com os clientes. Dessa maneira, a empatia é a chave para conquistar conexões e parcerias mais fortes, para ter maior relevância no mercado e conseguir atrair a audiência individual e coletiva.

Qual o perfil ideal do advogado 4.0?

O profissional jurídico precisa se adaptar às inovações e, para isso, é necessário atualização e capacitação constante no Direito Digital, além de conhecer as novidades relacionadas com a tecnologia e a automação das atividades. Assim, ele usa plataformas jurídicas online para simplificar o seu trabalho como assinaturas digitais, contratação de correspondentes jurídicos por meio de sites especializados, realização de reuniões com parceiros via conferência online, entre outras atividades relacionadas à sua atuação.

Ele também procura conquistar clientes pela internet, pois sabe que ela é um ótimo meio para captar pessoas com problemas jurídicos e que estão interessadas em contratar um profissional do ramo. Para isso, o advogado deve investir em perfis em redes sociais e manter blogs ou sites com conteúdos interessantes e atrativos, mas sempre atendendo aos preceitos éticos desse tipo de exposição. Além disso, o novo profissional precisa se aprimorar e entender que deve conciliar a expertise jurídica com conhecimentos do ramo da Ciência de Dados e Programação, por exemplo.

Como se tornar um advogado 4.0?

A tecnologia alterou as expectativas para o futuro da advocacia. Os aplicativos criados para os advogados surgiram para facilitar a rotina dos escritórios. Para atingir os benefícios dessa nova fase da advocacia é preciso colocar em prática algumas dicas. Veja, a seguir, os principais passos para se tornar um advogado 4.0.

Invista em ferramentas digitais para estar conectado

O advogado 4.0 usa todo o potencial da internet na divulgação de seu trabalho, de sua expertise, de suas ideias, e também para partilhar conhecimento, aprender, receber novidades não só no Direito como em outros ramos multidisciplinares. Para isso, existem algumas ações interessantes como ter site próprio, criar um blog para publicar seus artigos e usar as redes sociais para compartilhar conteúdo e solidificar a marca no mercado. Todos os dias, várias pessoas acessam a rede em busca de informações jurídicas. Dessa forma, marcar forte presença no meio digital vai contribuir para que os clientes potenciais se interessem pelo seu trabalho, desde que divulgado com prudência e moderação, e manterá o advogado alinhado com as mais recentes tendências das notícias e da sociedade em geral.

Mantenha-se atualizado às novidades da profissão

O advogado que deseja estar integrado ao momento atual da profissão deve buscar se manter atualizado na área, seja por meios tradicionais como cursos e leitura de artigos, seja por meios mais modernos, como assistindo vídeos na internet, ouvindo podcasts, entre outros. Da mesma forma que a internet pode ser utilizada para produzir e compartilhar seus conteúdos, também pode ser útil para se atualizar sobre os temas jurídicos.

Pesquise as plataformas disponíveis para o mercado jurídico

Existem uma grande variedade de plataformas disponíveis para advogados. Por meio desses programas é possível realizar assinatura de contratos digitais, reuniões, gerenciamento de escritórios, entre outros. Isso evita que o profissional perca tempo em deslocamentos desnecessários.

Utilize a tecnologia para a gestão do seu escritório

O advogado 4.0 tem à sua disposição diversos dispositivos tecnológicos que ajudam a aumentar a produtividade, reduzir os custos e auxiliam na gestão do escritório. Por meio dessas ferramentas ele pode realizar muitas tarefas essenciais, facilitando sua rotina de trabalho. Isso permite flexibilidade no horário e local dos atendimentos, e também gera economia em relação à infraestrutura necessária para as consultas com os clientes.

Utilize Lawtechs e Legaltechs

Nos últimos anos têm surgido muitas lawtechs e legaltechs como soluções para o mercado jurídico. O objetivo delas é transformar a rotina do advogado, tornando-a mais dinâmica e eficiente. Esses aplicativos oferecem ao profissional uma forma de manter o perfil inovador. Com o auxílio dessas ferramentas tecnológicas, o advogado otimiza o tempo gasto com atividades menos importantes e direciona seus esforços em tarefas nas quais ele é indispensável.

Invista em integração

As ferramentas tecnológicas devem se comunicar e integrar, criando um sistema que atenda a todas as necessidades operacionais do escritório. O primeiro passo para adotar a advocacia 4.0 é procurar por aplicativos que sejam dinâmicos e ofereçam possibilidades de integração.

O sistema fechado, que só funciona em um computador e não se comunica com outras ferramentas é coisa do passado. As ferramentas que realmente se destacam atualmente trabalham em conjunto com as demais, para que o escritório de advocacia atinja seu máximo desempenho.

Automatize procedimentos

Tudo que é feito mais de uma vez do mesmo jeito pode, ao menos em tese, ser automatizado. Quem conta com sistemas inteligentes encontra neles o suporte para indicar o que pode ser automatizado, reduzindo tarefas desnecessárias e aumentando o tempo da equipe, pelo uso correto da tecnologia.

Sempre haverá trabalho a se fazer e o volume de demandas nos escritórios é cada vez maior. Não se trata de deixar tudo para os robôs, mas sim de aprender a trabalhar de forma eficiente em sincronia com as ferramentas tecnológicas. A automação é uma grande amiga dos advogados e uma forte tendência na advocacia 4.0.

Aumente a agilidade na atração e no atendimento de clientes

As relações mudaram e as expectativas das pessoas na forma como alguém presta serviços também mudou. A advocacia 4.0 é uma forma de responder a esse novo modelo de relacionamento, pois os clientes encontram o escritório e são atendidos com o auxílio de ferramentas digitais.

As redes sociais e a produção de conteúdo criam a possibilidade de que os escritórios gerem autoridade e alcancem um público que antes seria improvável. Não deixe de aproveitar as oportunidades de negócios e incluir ferramentas tecnológicas para todo o fluxo de trabalho na carteira de clientes. É possível agilizar e automatizar diversos componentes desde o contato inicial, atendendo aos anseios dos clientes, que esperam cada vez mais por rapidez e modernização, mesmo em suas demandas jurídicas.

Aumente o volume de trabalho sem perder qualidade

A massificação das relações traz consigo a repetição de certas demandas, tipos de contratos e o trabalho tende para uma certa uniformidade. Adotar a tecnologia, nesse cenário, é excelente, pois evita erros enquanto aumenta a quantidade de trabalho que o escritório consegue executar.

Quem quer dar conta de um grande volume de serviço sem perder a qualidade encontrará na inteligência artificial seu melhor aliado. É uma tendência que veio para ficar e, por isso mesmo, não deve ser ignorada no plano de negócios.

A tecnologia impacta diretamente no futuro da advocacia. Esse cenário competitivo faz com que os profissionais do Direito busquem se diferenciar e se destacar. Com a mudança no modelo tradicional de atuação da profissão, essas ferramentas se tornaram indispensáveis ao advogado que busca ter sucesso na carreira.

Dessa forma, a advocacia 4.0 é próspera e tem crescido a cada dia. Quem deseja se manter relevante no mercado não pode deixar de acompanhar as novidades e se manter em dia com as tendências do mercado. O desenvolvimento de novas tecnologias impulsionou essa tendência e proporcionou a otimização e a simplificação das tarefas jurídicas. A boa notícia é que esse movimento só tende a trazer mais benefícios para o Direito.

Gostou das nossas dicas? Para aprender ainda mais sobre a integração entre advocacia e recursos tecnológicos, confira nosso artigo sobre o uso de chatbots na advocacia!

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